I - Introdução à navegação "fora de estrada"
Este pequeno artigo é o primeiro de uma série, que culminará com um teste aprofundado a um programa de navegação de aventura, desenvolvido por uma empresa portuguesa.
Pretende-se deixar, ao longo destes artigos prévios, as noções base para que qualquer leitor consiga iniciar-se na navegação fora de estrada. Qualquer contribuição ou correcção será, naturalmente, bem vinda.
A esmagadora maioria dos leitores conhece os aparelhos de GPS, que se vêem colados aos vidros de tantas viaturas, nas nossas estradas.
Conhecem também, ou não fosse este um forum dedicado ao Windows Mobile, os programas existentes para esta plataforma, que, em conjunto com um receptor GPS, interno do PPC, ou externo, ligado por bluetooth, permitem a navegação "porta-a-porta".
As duas soluções atrás referidas utilizam mapas de estradas, com informação sobre os nomes das localidades, vias, e por vezes números de porta, sentidos de circulação, tipos de estrada, etc, etc, e conseguem calcular o trajecto entre dois pontos fornecidos pelo utilizador, seja para se deslocar em viatura, bicicleta, ou a pé. Estas soluções permitem que o utilizador vá recebendo, ao longo do trajecto, indicações sobre o caminho, "Vire á esquerda", "Na rotunda saia na 2ª saÃda", etc.

Como exemplos deste tipo de programas temos o TomTom, Route 66, CoPilot, I-Go, e o português NDrive, entre outros.
Mas a cartografia usada por estes programas é limitada quase exclusivamente às vias transitáveis, e pouca ou nenhuma informação incluem, sobre o resto do território. Há até programas destes que limitam a localização da "setinha" à via mais próxima, mesmo que na realidade nos encontremos fora de qualquer estrada.
Então, e se quisermos MESMO sair das estradas?
Qualquer amante da natureza, seja nas versões mais ecológicas de caminhante ou ciclista de BTT, seja na versão motorizada dos "jipes" (o meu caso), seja os que têem a sorte de poder dar uma voltinha no mar ou no ar, sabem que os programas acima referidos de pouco ou nada servem. O que estes utilizadores precisam é de algo que represente o terreno de um modo muito mais preciso, com muito mais informação, incluindo os caminhos pedonais, estradões de terra batida, as cotas altimétricas e curvas de nÃvel, as linhas de à gua, o tipo de vegetação, etc, etc.
Só com toda esta informação é que se torna possÃvel orientarmo-nos e escolher um caminho entre dois pontos, fora de estrada. Aqui não há máquina capaz de escolher o melhor caminho, quando a maior parte das vezes, na realidade, não existe nenhum.
Só o "aventureiro", sabendo a direcção do destino, a distância a que está, a configuração do terreno, e as suas capacidades de locomoção, pode decidir o melhor caminho, que raramente será o mais curto.
Então, a melhor forma de o fazer, é recorrendo a uma "carta geográfica militar", pois são estas, no nosso paÃs e em muitos outros, as que incluem mais e melhor informação sobre o terreno. Através do estudo dessa carta, sabendo o ponto de partida e de destino, com algum treino, é possÃvel escolher o melhor caminho, sabendo reconhecer na carta as zonas mais acidentadas, as que o tipo de vegetação ou solo vão facilitar ou não a progressão, etc.
Para este tipo de utilizadores, nada substitui a carta em papel, e uma boa bússula. Isto porque a carta é demasiado grande para os ecrans dos nossos PPC (com a eventual excepção dum HTC X7500
Mas é também verdade que o GPS pode ser uma alternativa que, com o devido treino e atenção, consegue substituir a carta e bússula. Com vantagens, nalguns aspectos: nem sempre é fácil descobrir a nossa localização numa carta militar. É necessário saber "ler" a carta, saber trabalhar bem com a bússula, e conseguir fazer a correspondência de pontos na carta com "coisas" que consigamos ver à nossa volta (os pontos notáveis). Isto só se consegue com treino, e leva sempre algum tempo.
No meu caso pessoal, prefiro usar as duas tecnologias em simultâneo, recorrendo a uma ou outra, em cada instante, conforme me dá mais jeito. PossÃvelmente por "culpa" de oito anos como militar, em que utilizei em exclusivo as cartas e bússula, e mais uns quantos anos como civil, no meu hobby de todo-o-terreno, antes dos GPS se vulgarizarem.
Estes programas (ou aparelhos) de GPS de aventura, que permitem a navegação fora de estrada, funcionam precisamente sobre imagens digitalizadas de cartografia, dando a nossa posição e direcção (só quando em movimento), e mostrando "por baixo" a carta geográfica. Existem também os que trabalham sem informação do terreno, como o modelo da imagem de baixo, apenas com os elementos das coordenadas, e o caminho percorrido, ou a percorrer.


Assim, sabendo as coordenadas de um ponto, e inserindo-as no programa, este pode mostrar a direcção e distância a que estamos, permitindo-nos ver se existem caminhos que liguem os dois pontos, ou qual o melhor terreno a escolher para lá chegar.
Outras vantagens dos PPC e dos aparelhos GPS, em relacção à s cartas em papel, é que permitem guardar automáticamente os trajectos realizados, incluindo pontos notáveis escolhidos por nós, num número virtualmente infinito, permitem partilhar através de uma ligação de dados, em tempo real e á distância, a nossa localização, e os trajectos efectuados, é possÃvel desenhar o trajecto préviamente, nalguns casos num PC, e depois segui-lo no PPC, e um sem número de outras utilizações que cada um poderá encontrar, consoante as suas necessidades. Para não falar que as cartas se deterioram rápidamente, para guardar um trajecto temos que o desenhar a lápis, para transmitir uma posição, só por telemóvel (se houver rede) ou rádio, para transmitir um trajecto, é preciso dar uma série de indicações, as cartas ocupam mais espaço e dão menos jeito a manusear, etc, etc...
Próximo(s) artigo(s):
II - Sistemas de Coordenadas, pode ser lido AQUI
















